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Os incêndios florestais revelaram a cultura política que ignora os cidadãos e protege interesses ocultos

Sábado, 26.08.17

  

 

As coisas essenciais da vida estão aqui ao lado nas palavras-chave: vida, pessoas, interacção entre pessoas (amizade, amor), a consciência humana, a cultura, a política, a economia, etc.

Somos humanos e a nossa consciência é humana. Não somos máquinas com comando remoto, descartáveis quando isso não serve às elites políticas. Não somos dispensáveis.

 

Este é o nosso território comum, um país do norte ao sul, do litoral ao interior, na sua diversidade e na sua especificidade.

É nosso o direito de decidir o que fazer com o nosso território comum. Não temos donos feudais, mas é isso que começa a revelar-se através dos incêndios florestais.

 

O programa "Negócios da Semana" da Sic Notícias começou o serviço público de informação cívica e democrática, sobre os interesses económicos e financeiros que se alimentam dos incêndios florestais, isto é, da desgraça das populações, sobretudo as do interior do país.

O crime organizado da economia do fogo, não assumido pela versão oficial do governo, pode ainda não ser o único inimigo dos cidadãos. Isso mesmo, pode ainda vir a revelar-se um plano oculto de interesses económicos e financeiros, desenhado e planeado pelas cabeças de um novo "bloco central" em formação.

 

Vamos então descascar as várias camadas opacas de uma gestão política danosa, de governos sucessivos, que nos levaram até ao inferno deste ano.

Para descascar estas camadas temos de utilizar a dedução. Isso mesmo, os humanos e a sua magnífica consciência humana, têm a capacidade de observar, analisar, relacionar os dados e começar a ver padrões e uma lógica em informações aparentemente desconexas.

De dedução em dedução, vão-se revelando interesses ocultos mais vastos do que os da economia do fogo, isto é, estruturais e definitivos, e não apenas conjunturais. Sim, como que um plano diabólico.

E porquê diabólico? Porque ignora as pessoas e valoriza o lucro financeiro, o metal sonante, a megalomania da cultura elitista e exclusiva.

 

Podemos, pois, dizer que a consciência humana é vital para os humanos porque lhes permite antecipar perigos para a sua sobrevivência.

 

Um dos dados que entraram nesta fase dedutiva foi um simples desabafo de um habitante de Orvalho: "Parece que se querem ver livres de nós". Um dado aparentemente subjectivo no meio de dados objectivos, mas que me ficou a tilintar nos neurónios. Este desabafo é um dado fundamental para começar a perceber o que pode estar a desenhar-se por detrás dos incêndios florestais deste ano.

Há outros desabafos, desta vez na Guarda, em aldeias rodeadas pelo fogo: "Estivemos sozinhos a defender as nossas casas e não apareceu ninguém, nem um bombeiro." De facto, em muitos casos esta cena repete-se. Os bombeiros aparecem mais tarde.

 

Vamos então lembrar o que tem sido feito no interior do país, durante a gestão danosa de governos sucessivos. O abandono sistemático dos serviços nas pequenas povoações: transportes, posto da GNR, posto dos Correios, escolas... agravando o seu isolamento.

O que é que isto nos revela? O território não se deseja ocupado, pelo menos pelas populações residentes. Isto parece indicar uma pressão para deslocar as populações para as cidades.

Esta pressão parece intensificar-se com o cansaço infernal dos incêndios florestais. É que sem os recursos da floresta e da agricultura, o desabafo adquire um sentido premonitório: querem empurrar-nos daqui para fora. O mesmo é dizer: querem retirar-nos os nossos recursos naturais, florestais, agrícolas, e o nosso património cultural, por arrasto.

 

O plano oculto que se começa a revelar é o de acabar definitivamente com as pequenas povoações do interior do país, isto é, acabar com a ocupação humana desse território.

A seguir, irá surgir um "grande consenso nacional" que, traduzido, quer dizer: "o bloco central de interesses".

Este "bloco central de interesses" cria leis que retiram poder aos cidadãos sobre o território que ocupam, o seu território comum, para o destinar a mega-projectos (mega-produções florestais; mega-produções agrícolas; mega-instalações de energia eólica e solar; turismo para ricos e muito-ricos, etc.).

Estes planos são apresentados com o marketing megalómano do costume, como supostamente benéficos para os cidadãos, para a sua segurança, e para a economia do país.

 

Já vimos o filme no litoral, no Algarve e no Alentejo.

Qual é a ideia do país na cultura do "bloco central de interesses"? Os vistos gold, os condomínios e hotéis de luxo, o turismo dos spa, os restaurantes dos chefs, os campos de golfe, etc.

O país, nesta cultura, serve para captar turistas e estrangeiros que compram casa e não pagam impostos. Um país bom para turistas e estrangeiros e péssimo para os próprios cidadãos.

 

É por isso que insistimos: as próximas autárquicas são vitais para as populações.

Está nas mãos dos cidadãos-munícipes decidirem o que querem para o seu território:

- uma economia sustentável, de comunidades solidárias, que possam usufruir e partilhar a beleza natural do seu território (turismo de natureza, turismo rural, etc.), a valorização do seu património cultural (história da região, expressões linguísticas, usos e costumes, rituais, arte popular, cancioneiro, gastronomia, etc.), e dos seus recursos (a floresta harmonizada com a agricultura de pequenos e médios produtores);

- ou alienar todos estes recursos do seu território comum, deixando que sejam apropriados, insidiosamente, pelo poder centralizado do "bloco central de interesses" (PS & PSD), o tal chamado "grande consenso nacional".

 

Não existe "consenso nacional" nenhum, nem nunca existiu, que beneficie os cidadãos.

O que existe, tal como até hoje, são interesses ocultos, económicos e financeiros, entre políticos e privados.   

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:44

Incêndios florestais: a versão oficial do governo encobre um crime impossível de esconder

Quinta-feira, 24.08.17

 

 

O impensável aconteceu este ano. Em nº de incêndios e em extensão de área ardida, conseguiu ultrapassar 2003. O norte e o interior do país vive uma situação que se assemelha a "estado de sítio" e/ou "estado de emergência".

Vemos alguns presidentes de câmara e presidentes de Junta de Freguesia a acompanhar, desesperados, situações absolutamente dantescas. O presidente da câmara do Fundão chegou a verbalizar, ao ver o nº de frentes num incêndio que destruiu a Gardunha, tratar-se de "terrorismo". Agora vê, incrédulo, o fogo a progredir pelo Pinhal Interior.

Terrorismo. Não foi o único a dizê-lo. De facto, é perfeitamente adequado dizê-lo: o crime dos incêndios configura gravidade equivalente ao terrorismo. Na sua voracidade criminosa, nem a tragédia os trava.

E qual é a versão oficial do governo? Precisamente: "negligência". Isto é: morreram pessoas, pessoas ficaram sem casa, sem os animais, as hortas, as àrvores de fruto, os pinhais. A resposta é: "actos de negligência".

De qualquer modo, os cidadãos já perceberam que lhes estão a mentir.

 

Um governo que consegue deixar os seus cidadãos indefesos, vulneráveis, entregues à sua capacidade de sobrevivência, não nos serve. Devia ter vergonha de vir enumerar os "bons resultados" em cima de cinzas  fumegantes. 

A ministra da Adminisstração Interna devia ter vergonha de vir à televisão titubear disparates, sobretudo quando interrompeu o programa "Negócios da Semana" da Sic Notícias sobre "A Economia do Fogo".

A representante pela comunicação da Protecção Civil devia ter vergonha de vir enumerar as "ocorrências" e descrever as "condições atmosféricas". Vemos o contraste da sua verborreia inútil nas imagens de pessoas a defender sozinhas as suas casas, em aldeias rodeadas pelo fogo. 

A Polícia Judiciária devia ter vergonha de só apresentar resultados em nº de detenções de indivíduos  suspeitos, em vez de controlar os referenciados e prevenir o crime organizado. Se a prevenção de riscos de segurança para as populações não cabe à polícia especializada, a quem cabe?

Os media deviam ter vergonha de repetir acriticamente a versão oficial. Há excepções, no entanto, de jornalistas que fazem as perguntas certas.

 

Neste país não se avaliam governos, ministros, deputados, nem políticos em geral. Neste país ninguém é responsável por nada. Neste país não nos dizem a verdade.

E ainda temos o azar de ter um dilema: a alternativa PSD/CDS é pior. Daí a nossa necessidade de criar novas plataformas políticas.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:23

Porque é que estas Autárquicas são vitais para as populações?

Sexta-feira, 18.08.17

 

 

  

O pior que pode acontecer às populações já aconteceu: sem protecção nem segurança, abandonadas e esquecidas, assim como o território que ocupam.

E não é apenas a segurança, um direito básico que deveria ser garantido pelo Estado, é o próprio governo não lhes dizer a verdade. Isto ficou claro, claríssimo, na 4ª feira à noite. Rewind: programa "Negócios da Semana" da Sic Notícias. Tema: A Economia do Fogo. Interrupçao para ouvir a ministra da administração interna que se tinha dirigido àquela hora à Protecção Civil, insistindo atabalhoadamente na versão "negligência" para encobrir a realidade "crime organizado".

A realidade está à vista de todos e o governo (versão oficial) insiste em escondê-la de todos nós, os cidadãos.

 

Voltemos ao programa e ao tema "A Economia do Fogo". Existe toda uma economia que se alimenta da desgraça das populações: negócios à volta do preço da madeira ardida (paletes, contraplacados, etc.); da aquisição de equipamentos de combate aos incêndios e de pagamento de serviços. Para já, foi o que registei. 

Formas de prevenção: neutralizar estes interesses económicos, fixando o preço da madeira ardida; nacionalizando os meios de combate aos incêndios com aquisição pelo Estado dos equipamentos; envolvendo forças militares especiais; preparando equipas de vigilância.

 

Onde é que entram as câmaras municipais, o poder local, na prevenção de incêndios e na protecção das populações?

Um presidente de câmara que conheça bem a sua população e território, que esteja próximo e receptivo às sugestões dos munícipes e de especialistas, e que coordene com outras câmaras, pode ter um papel fundamental. 

Pode optimizar os recursos da região, e a floresta é um recurso valiosíssimo, não apenas pela madeira, mas muito para além dessa indústria. Uma floresta bem gerida pode ser um recurso ambiental e turístico, uma floresta que se organiza de forma sustentável, numa ocupação do território bem planeada, com espécies seleccionadas e mais adequadas a cada configuração, e espaços amplos de interrupção natural com espécies menos inflamáveis ou outras soluções criativas.

Para decidir sobre um território a este nível, em que se afectam muitos pequenos proprietários, terá de se ouvir as pessoas, saber negociar, e depois preparar os meios financeiros (programas europeus, nacionais, locais, etc.) para negociar cada contrato. Uma sugestão possível é o aluguer do espaço onde se intervém.

 

Já se começa a perceber a importância vital das câmaras municipais, sobretudo para os concelhos do interior esquecido e abandonado. 

Um presidente de câmara com visão das potencialidades da região pode dinamizar a economia, mobilizar meios, atrair novos negócios, e promover uma ocupação do território.

 

Já referi o perfil ideal de um presidente de câmara. Cada um deve escolher cuidadosamente e pensando nestes factores que são vitais para a sua região: segurança, justiça, economia.

As dimensões valorizadas "jovem" e "independente" surgem relacionadas com "preparação técnica" e "cultura de colaboração". Claro está que podemos encontrar preparação técnica e cultura da colaboração em candidatos partidários.

A dimensão "ser residente na região", conhecer bem o território e a sua população, não é negociável.

Também não negociável a preferência de "candidatos ao primeiro e/ou segundo mandato, e excepcionalmente ao terceiro". 

Sugere-se evitar "candidatos que revelem um discurso agressivo e competitivo", uma cultura partidária corporativa.

Assim como "candidatos que exerçam a função de deputado".

E, como é desnecessário referir, "candidatos com irregularidades financeiras no percurso".

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:01

Autárquicas 2017: o perfil do novo gestor político

Sábado, 12.08.17

 

 

 

A política não se esgota na política partidária. A política é a gestão dos recursos colectivos e envolve um grau elevado de responsabilidade.

Como cidadãos já verificámos que não podemos deixar de participar nas grandes decisões sobre as nossas vidas e o futuro das novas gerações.

 

Quando analisamos o perfil de um gestor político, consideramos a capacidade de liderança e as dimensões capacidade de organização, coordenação, mobilização, motivação da equipa.

O que não esperamos é ter de colocar no perfil dimensões básicas como cultura democrática, receptividade a uma democracia participativa, de uma comunidade diversa e inclusiva, e cultura da colaboração, pois são dimensões que julgávamos presentes em todos os candidatos a gestores políticos. :)

Essa não é a nossa realidade. O que temos visto é uma cultura individualista baseada na imagem pessoal, elitismo baseado numa cultura partidária, fortemente competitiva e agressiva. Ora, esse tipo de gestores políticos não nos serve.

 

Vamos afinar o nosso perfil para aplicar aos candidatos a presidentes de câmara.

Às dimensões já referidas de um gestor político, acrescentaríamos capacidade de negociação e compromisso, persistência, optimização dos recursos, interacção e colaboração com outros municípios e outras regiões da comunidade europeia, conhecimento profundo do território e da população, receptividade às preocupações e sugestões dos munícipes, e outras ainda a analisar. 

 

Consideremos agora os actuais candidatos a presidentes de câmara. Já repararam que, se formos seguir o perfil definido, de forma rigorosa, a maioria não passa no primeiro crivo?

Vejamos então:

- candidatos com mais de 3 mandatos exercidos;

- com irregularidades na gestão financeira;

- que revelem uma cultura individualista e competitiva, uma linguagem conflituosa, uma atitude agressiva e/ou  um discurso partidário;

- que exerçam actualmente a função de deputados;

- (a analisar)

 

Nas Autárquicas 2017 apostaria nos candidatos:

- residentes na própria região e que conheçam o seu território e população; 

- jovens qualificados e percurso profissional com provas dadas;

- independentes e com um projecto claro e uma equipa coesa e bem organizada;

- que se candidatam a um primeiro ou segundo mandato e, só excepcionalmente, a um terceiro mandato no caso de ter projectos em andamento que reconhecidamente valorizam a qualidade de vida da população e a economia da região;

- que estabeleçam facilmente uma rede de interacção e colaboração entre municípios e outras regiões da comunidade europeia;

- que se movimentem com facilidade nas candidaturas a projectos europeus;

- com capacidade de inovação, utilização de novas estratégias para lidar com os desafios actuais: economia sustentável, atracção de jovens qualificados, segurança e qualidade de vida da população, etc. 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:37








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